UM GRANDE MILAGRE

Iniciou com o desaparecimento do meu filho PAULO BUARQUE (10.08.2010 a 14.08.2010) e agora serve como um diário onde escrevo matérias que possam levar as pessoas a serem mais humanas e mais fervorosas na fé.

RELATO DE UMA DOR QUE SE TRANSFORMOU NUMA GRANDE BENÇÃO.

Celebração na Igreja de Santana - às 19h30min desse dia 27/08/2010 - Dia de Nossa Senhora das Graças. (por acaso (será???) caiu nesse dia, pensamos no dia 24 aniversário de Paulo)


Sou católica desde criança pelo fato de ter nascido em uma família católica. Nunca questionei essa escolha, nunca fui uma beata, até sinto que falho às vezes em não cumprir todos os rituais da minha Igreja. Mesmo agora não penso em mudar de religião, estou feliz como estou. Pois o caminho para Deus é amor e solidariedade. Sou uma pessoa simples, com defeitos e virtudes igual a qualquer um, e jamais pensei ser merecedora de tamanho milagre.

Nunca me ocupei de criticar a religião dos outros, já tenho muito trabalho me ocupando da minha vida e Deus nos ensina que Jesus é quem vem julgar e que nós respondemos apenas pelos nossos atos. A religião (qualquer que seja) nos torna mais humanos, porém o que nos traz a salvação é a Fé. E Fé todos podemos ter independente do que sejamos ou façamos.

Religiosidade demais, como tudo na vida faz mal, pode nos cegar e nos desviar do caminho do amor ao próximo e todo preconceito sem conhecimento de causa é burro. Não posso questionar aquilo que não conheço apenas posso ter uma opinião contrária, mas isso não me torna mais certa ou errada sobre determinado assunto, é apenas uma opinião. Padre Nunes nos diz que a religiosidade tem dois caminhos: a espiritualidade e o fanatismo. Precisamos optar pela espiritualidade pois o fanatismo se distancia do que Deus quer de nós, penso eu!

Assistindo a uma novena do Divino Pai Eterno, induzida pela minha tia Das Dores (a que me deu o cd) senti, ao ouvir o relato de uma pessoa que havia conseguido a graça de se curar de um problema na tireóide (também tenho essa doença), uma vontade enorme de chorar e que meu coração estava repleto de fé.

Deus falou comigo naquele momento, pois a doença e mais de um ano a procura de emprego (sempre procurei fazer tudo da melhor forma possível, me dedicando aos estudos, a família, e ao trabalho. Não entendia o porquê dessa dificuldade: a idade? a falta de diploma? coisas tão pequenas que me deixavam decepcionada, revoltada) me deixaram com uma enorme depressão: não sentia prazer em nada, tinha preguiça de viver (assim que disse ao cirurgião que colheu o material para minha biópsia).

Minha tia Marlúcia, sempre tão presente, sentiu que eu estava deprimida e tentou me alegrar, mas eu negava. Negava para ela e para todos e até para mim mesma, pois lutava para que isso não fosse verdade. Graças a Deus o tumor é benigno e vivo normalmente, soube que um índice muito grande de pessoas têm esta doença e nem se quer sabe. E que a chance de morrer por causa dela é de 5%. Detectei através de exames rotineiros, mas são tão pequenos os nódulos que não dá nem para punção, exceto um. A única sequela é que tenho que tomar um comprimido em jejum todos os dias, mas nada. Esqueci de tomar o remédio e não senti nada durante todo o episódio. Creio até que me curei. Vou ver isso depois, agora não é o mais importante.

Após a benção da água dei para o meu filho Paulo para que ele fosse protegido, (antes do ocorrido) e aos outros dois também. Durante a minha dor, ouvi o cd do padre da novena (Padre Robson), sua voz é um alento que chega a alma, nem guardei o que dizia, só a sua voz me servia de bálsamo. Quando em um momento desabei no choro, porque Deus nos deu esse presente: as lágrimas, elas lavam a alma e nos recarregam de energia para vencermos aquilo que nos debilita.

Foi quando de joelhos, aos prantos, pedi a Deus que me trouxesse meu filho no meu tempo, pois minha fé era inabalável, mas meu lado humano era fraco e meu corpo já dava sinais de cansaço. E ele assim o fez. Ouvi tanto que ele já devia estar morto, que disse a Deus: eu já dei a minha cota de sacrifício quando aos 3 anos perdi meu pai assassinado e não posso passar por essa dor que será ainda maior (por se tratar de um filho) e continuei inabalável em minha Fé de encontrá-lo com vida.

Meu filho de 5 anos (anjo Gabriel) me consolava e dizia para ter calma, ele iria cuidar de mim e me perguntou se eu queria água abençoada. Ele trouxe dois copos de água (minha cunhada disse que ele encheu os copos e benzeu como o padre Robson faz na novena) e trouxe para mim e tomamos juntos. Depois ele disse que iria ao quarto dele pedir a papai do céu para que trouxesse Paulinho de volta. Pois eu havia dito a ele que ele estava "atrasado", pois Gabriel havia ouvido a palavra "sequestrado". No dia 11 quando cheguei a minha casa era o dia do aniversário de 5 anos dele e nada foi feito, pois iríamos comemorar aqui.

No final da noite daquele dia ele me perguntou: Mamãe hoje não é meu aniversário? Eu parei e olhei para ele atônita, havia esquecido completamente disso. Prometi que assim que Paulinho voltasse, pois estava "atrasado" eu faria o aniversário dele. Ele me fez prometer um bolo de três andares. Quando Paulo voltou (sábado 14) foi só amanhecer o domingo que ele perguntou logo pelo bolo de três andares pq Paulinho já havia voltado. Eu fui ao supermercado comprei 3 bolos e montei um de três andares não sabia onde comprar um bolo de três andares (estava exausta da viagem do dia anterior saí por volta das 06:00 e cheguei às 17:30 em casa após ter ido buscar Paulo em Igarassu) mas não pude deixar para outro dia, promessa não se pode quebrar. Postei as fotos no meu perfil do orkut para os amigos: um verdadeiro bolo frankstein (dá para entender pq o nome). Mas ele amou.

Meu outro filho Lucas de 10 anos foi minha maior preocupação devido à idade, iria assimilar mais o que estava ocorrendo. Pedi a ele que se poupasse e que ficasse o mais longe possível dessas coisas que fariam mal ao coração dele. Pois eu tinha certeza que o irmão iria voltar e que ele poderia me ajudar enviando emails ou respondendo a recados do Orkut, pois é meu pequeno gênio. Foi meu suporte nesse momento.

Ainda em Recife vi um livro que peguei emprestado da minha sogra para ler: Encontrando Deus nos lugares mais inesperados. Essa frase sempre esteve na minha mente. Deveria ter voltado para casa na madrugada da segunda-feira, mas perdi o avião (minha segunda viagem de avião nos meus 45 anos de idade - me sentindo uma celebridade) pq coloquei a data da madrugada do sábado. Mão de Deus mais uma vez. Fez com que eu voltasse de Recife, na quarta-feira 11/08 juntamente com duas pessoas que eu admiro e respeito: Manoel e Cléia. Que foram fundamentais para nosso suporte durante essa turbulência. Depois vieram outros também de suma importância, mas no momento da notícia eles é que estavam comigo.

Minha nora (a primeira a sofrer) foi quem sentiu a falta dele quando não apareceu para buscá-la no emprego e após procurá-lo nos lugares possíveis e não encontrá-lo ligou para mim para saber como falar com Rubens se encheu de forças para não me deixar perceber o que estava acontecendo pois eu estava em Recife e ficaria louca se tivesse sabido naquele momento do desaparecimento do meu filho, longe e sem poder fazer nada seria a morte. Mas ela teve todo o cuidado para não levantar suspeitas, procurou antes de avisar ao meu marido pq sabia o quanto sofreríamos e tentou resolver antes de o procurar. Uma guerreira. Tenho a certeza absoluta do seu amor pelo meu filho, se antes era minha nora agora é mais uma filha (a que eu não tive) a fazer parte da família. Tenho uma profunda admiração pela sua força e respeito pelo seu carinho conosco nessa hora.

Nesse episódio (palavra mais amena para o que aconteceu) vi Deus em todos os lugares: nos travestis na Av. João Mota, que naquele momento foram solidários a minha dor, no delegado que apareceu lá e nos ajudou. Na imprensa, na polícia, nos hospitais, nas diferentes religiões, nos bares, prostitutas, bichas (como eles mesmo se denominaram), seguranças, vigias de rua, pessoas desconhecidas que me telefonavam, etc...Descobri que pessoas ligam para confirmar se o email é verdadeiro antes de repassar. Achei de uma grandeza imensa, além de enviar ainda se ocupam de ligar. Deus é misericordioso.

Tenho uma forma peculiar de buscar a Deus, sempre me pautei pelas boas ações, pela honestidade, pelo desapego ao dinheiro, pois sempre ensinei aos meus filhos que dinheiro deve vir fruto do nosso trabalho, que o dinheiro que vem de forma errada é fogo que queima nossa alma. Muitas pessoas vendem a alma por uns trocados, eu sinto uma enorme decepção quando vejo isso ocorrer. Dói fundo na minha alma quando pessoas que por vezes admirei tanto mergulham num precipício por tão pouco. Não sei como conseguem viver se utilizando de coisas que não os pertencem, por vezes tirando o alimento de outras pessoas, a saúde e tantos outros males que podem desencadear agindo dessa forma.
Procuro servir a um só senhor: Deus! E o busco em minhas orações e conversas com Ele.
Tenho o hábito de fazer uma oração e pedir a Deus que me dê respostas através da Bíblia, e nesse episódio do sequestro ele me deu respostas através da Bíblia, através de pessoas amigas e desconhecidas, no sonho: sonhei com aurora e zona norte: Meu filho telefonou na aurora do sábado pedindo para voltar. Ele foi deixado na Zona Norte de Pernambuco.

Na Bíblia uma passagem me disse: seres de carne não te fará mal algum. (não decoro as palavras só o significado), não sei a Bíblia de cor, não sei citar passagens sem recorrer a ela, mas tiro da passagem as respostas e elas ficam na alma. Esse é o meu jeito "peculiar" de ler a Bíblia. Me ocupava de enviar emails aos seus amigos e aos meus para que pudéssemos encontrá-lo e uma enorme corrente se formou, graças a Deus pude ver que existem pessoas de bom coração na terra. Mensagem e mais mensagem de fé, carinho e solidariedade recebi. Meu celular que criava teia de aranha na campainha por tocar muito pouco, visto que fico em ksa e todos ligam pro fixo, não parava de tocar e de receber sms, eu atendendo uma ligação e o sinal de outra chegando (meu celular nunca deu sinal de outra ligação, pensei até que não tinha essa função nele rsrsrs). Não pude retornar a todos, alguns perdi o contato, outros não consegui retornar, outros era pela web e não deixaram contato. Mas considerem todos que os agradeço de coração e alma profundamente encantada pelo carinho recebido.

Uma pessoa me ligou para eu ir ao local onde foi achado o carro e procurar uma pista, eu fui junto com meu cunhado e meu filho Lucas, catamos um saco de lixo e entreguei ao delegado: não sabia o que estava fazendo, pedi a Deus que me desse o poder de ver qual era essa pista... Não sei, mas acreditei e fiz. Talvez seja mais uma de Deus para me ocupar e não me deixar sucumbir à dor. Sempre disse que para mim "Esperar é a morte", nunca soube esperar por nada sem ir a luta. Creio que o delegado recebeu por gentileza e depois deve ter colocado de volta no lixo.

Meu marido, na noite que Paulo desapareceu estava desesperado para encontrá-lo antes que eu e os meus outros dois filhos chegássemos de viagem, pois não sabia como iria me dizer: achou que eu morreria só de saber, ele sabe da minha angústia quando um filho adoece, parece que deixo de respirar até ele ficar bom. Custei a acreditar, mas percebi desde esse momento a mão de Deus, pois ele já tinha tido acesso a pessoas que eu jamais pensei conseguir chegar. Já havia uma mobilização para encontrar nosso filho. Ele em outro momento quando chorava (uivava de dor, pois quando choramos e a dor é muito forte nós uivamos) me pedia perdão porque não sabia mais o que fazer, já havia feito tudo o que pudesse imaginar.

Eu o acalmei e disse para ter fé porque ele estava vivo e Deus o traria de volta. Ele não era culpado por nada. Já sofrera muito sozinho... Quisera Deus que todos tivessem o pai que meus filhos têm. Que esquece de si para pensar na família, que se desdobra em mil para nos fazer felizes e vivermos bem. Tem lá seus defeitos, mas é humano e todos nós temos os nossos, mas suas qualidades são superiores demais.

Na noite da sexta-feira 13/08 estivemos nos bares de Ponta Negra (local mais frequentado por turistas) porque um telefonema me encheu de esperança ao dizer que uma pessoa parecida com meu filho havia sido visto lá. Novamente a polícia nos deu apoio. Tomei banho (o segundo desde o desaparecimento do meu filho, pois não tomava banho, nem dormia, nem comia, a não ser obrigada pelos familiares que estavam preocupados com minha saúde). Mas após aquele telefonema Deus deu à resposta a pergunta que havia feito ao sair da delegacia quando fui receber o carro do meu filho (e agora o que eu vou fazer, já não tenho mais nada).

Ao chegar em casa o celular toca é a resposta de Deus: vá se ocupar de procurar seu filho em Ponta Negra, mesmo que ele não esteja lá, enquanto eu cuido de libertá-lo, para que sua fé não se abale ou seu corpo não aguente. Assim fiz, fomos a Ponta Negra a tarde lá encontrei um senhor que chora o desaparecimento de seu irmão até hoje, sua mãe morreu de desgosto por não saber onde o filho estava. Eu senti uma pontada de dor naquela hora, agora gostaria de reencontrá-lo para tentar ajudar a encontrar seu irmão.

Pessoas desconhecidas se ofereciam para distribuir os cartazes. Um cliente do meu filho (vendedor) parou o carro e pediu os cartazes porque gostava muito dele e queria ajudar a encontrá-lo. Motorista de táxi pediu para colarmos em seu carro o cartaz. Ambulantes colaram em seus isopor(es)???(minha mania de perfeição, até aqui quero escrever corretamente).

Os comerciantes da área deixaram que colocássemos cartazes dentro dos seus estabelecimentos.
Minha mana se desdobrou juntamente com Pepe (filho) e Júlio (namorado) para distribuir os cartazes e por onde andavam as pessoas confirmaram que o viram lá. Chegaram a dar certeza que era ele. Infelizmente, é um rapaz muito parecido, porém não era ele. Mas só soube disso após ter recebido o telefonema dele pedindo para voltar.

Poucos lugares tem como Norma não serem solidários, os que têm essa norma sabem que estivemos lá e nos fecharam as portas. Acho que deviam rever essa Norma. Um dia, não desejo, mas pode ocorrer com qualquer um e poderá ser um filho, um irmão, uma mãe dessas pessoas insensíveis. Não cito nomes pq são pouquíssimos e sinceramente não fizeram a diferença e nem guardo rancor. Não estou me referindo a Ponta Negra lá tivemos acesso a todos os lugares que estivemos, mas na Grande Natal e em Natal. Já em alguns lugares imprimiram o cartaz colorido (quando estava sendo distribuído preto e branco) e colocaram nas portas.

Passamos a noite circulando (disfarçados) eu vestida de ET com um casaco de frio azul e vermelho, pois desde o início um frio enorme corria pelo meu corpo não importava se era dia ou noite. Chovendo ou fazendo sol. Meus vizinhos, a minha família, a de Rubens e a de Jéssica estavam distribuindo cartazes ou disfarçados procurando por Paulo (pensamos que ele tinha surtado). Ao sair de lá perguntei a Deus, e agora meu filho não está aqui, o que faço? Fui me aproximando quando o namorado de minha irmã mostrou o cartaz com a foto do meu filho a uns jovens que pensei estarem consumindo drogas: Pasmem!

Eles vão sempre aquele lugar para fazer orações. E ali no meio de uma rua onde reina a prostituição e as drogas eu, minha família e aqueles jovens oramos pela volta de Paulo. Naquele momento Deus me deu a resposta. Teu filho está salvo e logo voltará. Meu coração se encheu de uma fé enorme e nada nem ninguém tiraria de mim a certeza de que ele estava voltando.

Agradeci aqueles jovens e disse-lhes que estava encantada com o que eles fizeram que nada no mundo paga o que eu estava sentindo naquele momento. Deus escolheu aqueles jovens de outra religião (bola de neve) para me dizer que meu filho estava salvo.

Fui para casa, respondi email, mensagens do Orkut e deixei a seguinte mensagem: Tenho Certeza que Ele está voltando (ou algo parecido, nunca decoro as palavras exatas, só o sentido), isso era por volta da 1 para 2 horas da madrugada. Fui dormir sorrindo porque tinha a certeza que meu filho estava voltando.
Acordei com o telefone tocando, na Aurora, era Paulo pedindo para volta para sua casa pq estava sem aguentar mais tanto sofrimento.

Deu-se aí o meu momento de desespero (antes estava tão centrada que todos se espantavam): Meu cunhado para me proteger disse que eu não iria porque era perigoso. Desabei em choro e grito (meu lado autoritário que quem me conhece mais de perto por vezes presencia, embora eu tente trabalhar isso diariamente). Nada me tiraria o direito e o prazer de ir ao encontro do meu filho, pois embora respeitasse o cuidado dele jamais eu abriria mão desse encontro. E o Coordenador da polícia entendeu que seria inútil tentar me convencer do contrário. Eu iria e iria no nosso carro, e ninguém iria me dizer para fazer diferente. Então o coordenador foi dirigindo o nosso carro (me senti uma celebridade rsrs).

Eu lhe falei que não esperava encontrar Deus na Polícia, mas estava errada. Nos relatos dele, de sua vida, senti meu coração falando novamente comigo: dessa vez era sobre Dani (que se encontra com um câncer muito raro e se submetendo a cirurgias). Dentro daquele relato que o Dr. Célio fazia eu senti a presença de Deus me dando um recado. Daniel será curado, pois uma das maiores forças que recebi foi de minha cunhada, mãe de Daniel, que está lá em São Paulo, só com o filho para que ele receba o tratamento necessário. Senti-me pequena diante da força dela, pois desde fevereiro que vem sofrendo com essa doença. Ela tão forte me dando forças: eu até então não tinha tido coragem de ligar para ela, pois sentia que choraria e a deixaria mais fraca. Deus a usou para me fortalecer e me usou para dar a ela a certeza que seu filho será curado. De um amor incondicional para outro. Coisas de Deus!

Meu coração dizia que era ele e que não haveria perigo, mas a família e a polícia achavam que poderia ser um trote, uma armadilha, etc. Respeitei-os! Mas fui no nosso carro e fui a primeira a abraçar o meu (nosso) filho. Por isso a necessidade do sigilo até que estivéssemos com nosso filho a salvo.
Nossas pernas tremiam. Eu do tamanho de nada abraçando um jovem alto e gordo(inho) para não ofendê-lo. kkkkkk Deus que abraço gostoso e minhas pernas aguentaram o peso dele. Meu cunhado Manoel chegou a segurá-lo vendo que ele estava fraquejando.

Deus ouviu as minhas preces, Deus atendeu porque meu coração não teve espaço para ódio, mágoa, raiva, rancor... Só dor pelo desaparecimento e fé pela sua volta. Deus nos ouviu porque um coral de anjos da terra se uniu mandando luz para os anjos do céu. E todos os que participaram de uma forma ou de outra foram peças no jogo de xadrez que Deus usou para trazer de volta, não mas o meu filho, mas o filho de todas as mães e avós dessa terra. Ganhamos muitos amigos, irmãos, mães e avós. Sintam-se a vontade para ligar ou mandar emails, se assim o quiserem, para saber notícias dele.

Depois de estarmos em casa, após o seu resgate percebi o quanto fui injusta e perdi perdão ao meu cunhado Fernando e Socorro, pois pensei que estavam enviando o filho dele, de uns 18 anos e que meu filho pediu para não avisar a ninguém pois tinha medo das consequências. Impedi meu cunhado de um resgate cinematográfico (quem o conhece sabe do que estou falando rsrsrs com helicóptero e tudo, ele é assim 99% coração e 1% juízo - mas não mediu esforços para encontrar nosso filho e não mede esforços para ajudar quem quer que seja mesmo que se prejudique. Ele é assim eficiente como nós passamos a chamá-lo Operacional Técnico - tem uma capacidade enorme de mobilizar e fazer acontecer. Obrigada cunhado, vc é 99 apesar de dizer que seu arco íris tem cinza e eu dizer que no meu tudo é colorido, tirei 1% pelo cinza do arco íris... brincadeira eu entendi a estória. Nós te admiramos pelo seu despreendimento e competência ao ajudar a encontrar nosso filho, só Deus poderá pagar a vc pois o que nos fez dinheiro não paga.

Durante o ocorrido não consegui ligar ou visitar minha mãe que estava sendo cuidada pela minha irmã e minha tia (mãe), pois iria me enfraquecer vendo a dor que elas estavam sentindo e não teria forças para fazer o que eu tinha que fazer: procurar meu filho. Ao distribuir cartazes em Ponta Negra uma mãe me falou: se fosse com um filho meu eu morreria. Eu respondi: (também pensei que morreria) Não morre não porque tem um filho para encontrar.

Frustrei a imprensa e a todos que queriam vê-lo chegar, mas foi por amor ao meu filho que tomei essa decisão. Ele estava exausto e o bombardeio de perguntas o deixaria mais fragilizado. Seria um sofrimento em vão, porque ele não conseguiu falar nada. Combinei com a polícia que o deixaria em outro lugar a salvo (casa de minha mãe) e iria para minha casa porque estava preocupada com meus outros dois filhos. E assim fizemos. Sei que todos querem saber o que ocorreu com ele enquanto estava prisioneiro: a mim ele não falou e nem consegue porque desaba no choro. A polícia ele já prestou todos os depoimentos solicitados. Agora peço que dêem a ele o direito de decidir quando e como falará sobre o ocorrido. Pois tem pesadelos e um profundo abalo psicológico. Não é para menos, pois foi torturado sem ao menos saber o porquê?

Cremos que foi pego por engano por isso pedimos que rezem para os que estão desaparecidos, pois nosso Paulo estava no lugar de outra pessoa. Esse é um pensamento meu nada de concreto para elucidar o caso nós temos, apenas divagações. Mas do fundo do meu coração creio que minha missão nessa terra agora é reconstruir o meu lar. Nossas vidas e levar um pouco de fé aos que não a encontraram ainda. Ainda dentro dos meus devaneios pensei com o meu coração que a pessoa que o libertou foi tocada pela mão Divina e se conscientizou do mal que vem fazendo. Espero que sim, que mude, construa sua família e deixe de levar dor a família dos outros. Não tire mais vidas e nem a sua própria. Pois a vida é dom de Deus e só Ele pode tirá-la. Creio que ninguém escolhe ser bandido é levado pelas circunstâncias, pela fraqueza de caráter, pelo meio em que vive ou por falta de oportunidade. Embora existam pessoas com um coração cheio de coisas ruins lá bem no fundo existe um Deus adormecido que pode acordar e transformar. Basta pedir!

Fé tem que ser igual a amor de mãe: incondicional. Nada se aproxima mais do amor que Deus quer que tenhamos uns pelos outros do que o amor de uma mãe pelo seu filho.
Quero tocar corações, quero mostrar que uma pessoa simples e com defeitos pode alcançar uma graça tão grande e que todos podem ter o mesmo tratamento por Deus. Basta deixá-lo no controle.

Deus está sempre presente. Nada acontece que não seja do seu conhecimento. Ele nos dá o livre arbítrio, mas nós podemos entregar nossas vidas diariamente a Ele que nos conduzirá.

Devemos viver o dia de Hoje (presente de Deus) o passado já não pode ser mudado. O futuro pertence a Ele (Deus).

Gostou? Compartilhe!

Pesquisar este blog

Faça uma criança feliz!

Esse cantinho é ainda uma criança e é muito especial, se você gostou deixe seu comentário. Faça essa criança feliz!.

Follow by Email

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Cadastrar desaparecidos